Para demonstrar
a importância dos métodos quantitativos para a Psicologia, este trabalho
apresenta o uso desta ferramenta no campo da Educação Ambiental e sua
interdisciplinaridade com a Psicologia. Dessa forma, são apresentados dados coletados
e consolidados anualmente desde 1995 através do Sistema Nacional de Informações
sobre Saneamento – SNIS, que resulta no Diagnóstico Anual sobre Águas e Esgotos
no Brasil – uma publicação do Ministério das Cidades – Secretaria Nacional de
Saneamento Ambiental e do Atlas de Saneamento 2011, uma publicação do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística.
SANEAMENTO NO BRASIL E PSICOLOGIA AMBIENTAL
Conforme o Atlas
de Saneamento 2011 (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO), o
“saneamento ambiental abrange aspectos que vão além do saneamento básico,
englobando o abastecimento de água potável, a coleta, o tratamento e a
disposição final dos esgotos e dos resíduos sólidos e gasosos, os demais
serviços de limpeza urbana, o controle ambiental de vetores e reservatórios de
doenças, a disciplina da ocupação e de uso da terra e obras especializadas para
proteção e melhoria das condições de vida” (ATLAS DE SANEAMENTO 2011, pg 45, MINISTÉRIO
DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO).
A falta ou a
precariedade do saneamento, conforme apontado pelo Atlas de Saneamento 2011 (MINISTÉRIO
DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO), causa problemas ambientais como poluição
ou contaminação na captação de água para o abastecimento humano, poluição de
rios, lagos, lagoas, aqüíferos, doenças, erosão acelerada, assoreamento e
inundações freqüentes.
A maioria dos
municípios brasileiros dispõe de serviço de coleta de lixo, porém cerca de
50,8% é destinado para lixões a céu aberto. No ano de 2000, este percentual era
72,3%. A coleta seletiva, apontada como uma das soluções mais viáveis para
reduzir o volume do lixo produzido, passou de 8,2% dos municípios em 2000, para
17, 9% em 2008. Dos que realizam a coleta, apenas 38 % abrange todo o
município. Cerca de 42% dos municípios brasileiros não tratam de forma devida o
lixo hospitalar. (Fonte: Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto 2010 –
MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2010).
Em 2010, o
Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2010) apurou
informações sobre o esgotamento sanitário em 2.734 municípios. Estes números
correspondem 85,3% da população urbana do país. As informações foram fornecidas
pelos próprios prestadores dos serviços através de formulários eletrônicos.
Foram elaborados dois tipos de formulários: simplificado e completo para que os
prestadores pudessem responder.
Fonte: Diagnóstico dos Serviços de
Água e Esgoto 2010 – Ministério das Cidades
Observou-se que
a quantidade de prestadores que responderam a um ou outro formulário compôs uma
amostra significativa.
Fonte: Diagnóstico dos Serviços de
Água e Esgoto 2010 – Ministério das Cidades
O Diagnóstico dos
Serviços de Água e Esgoto (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2010) aponta que houve um
crescimento no sistema de esgotamento sanitário, em relação ao ano de 2009, de
2,4 milhões de ligações (11,8 %) e de 16,2 mil quilômetros de redes água (7,8
%). No que se refere a volume de esgoto coletado e tratado, o acréscimo foi de
432,7 milhões de metros cúbicos (10,2%) e 229,1 milhões (7,9%),
respectivamente.
Fonte: Diagnóstico dos Serviços de
Água e Esgoto 2010 – Ministério das Cidades
O Diagnóstico dos
Serviços de Água e Esgoto (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2010) chama atenção para o
fato de que este acréscimo não representa incrementos de mesma proporção nos
índices de atendimento. Supõe-se que as novas ligações, redes e volumes atendem
ao crescimento vegetativo e a um contingente de usuários que mudou de
domicílios.
Evidencia-se que
há um crescimento populacional associado a um crescimento do consumo e suas necessidades,
sem a contrapartida de aumento para os recursos naturais e de redução do tempo
de degradação do lixo que o homem produz. A geração presente convive com o
problema econômico clássico, acentuado pelo comportamento consumista e cada vez
mais reforçado pelos padrões de consumo atuais: como alocar os recursos
escassos para satisfazer as necessidades do homem ilimitadas.
A Psicologia Ambiental, se munindo das
ferramentas disponibilizadas pela Estatística, pode oferecer o caminho para o
encontro do equilíbrio entre homem e ambiente. Tem como objeto de estudo o
comportamento do homem em sua interrelação com o meio ambiente e atribui
importância às suas percepções, atitudes e comportamento dentro de um contexto
físico e social, entendendo que tanto o ser humano modifica o ambiente como o
ambiente interfere no seu comportamento de maneira dinâmica.
Questões como o
lixo e seu destino, o saneamento e sua abrangência e o tratamento adequado da
água perpassam pelo comportamento consumista, antropocêntrico e descomprometido
que o homem e as instituições adotam em relação ao ambiente.
Observa-se,
diante do exposto, a aplicabilidade e relevância dos métodos quantitativos para
a consolidação, sistematização e interpretação dos dados em Psicologia Ambiental. Os
dados apresentados na área do Saneamento no Brasil chamam a atenção para a
necessidade de se repensar as políticas públicas e a relação entre o homem e
ambiente. Esta relação deve refletir o entendimento do homem sobre seu papel de
preservação do ambiente que ele é parte.
REFERÊNCIAS:
MINISTÉRIO DAS
CIDADES, Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental; Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento: Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos –
2010; Brasília, 2012
MINISTÉRIO DO
PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística; Atlas de Saneamento 2011 – Rio de Janeiro, 2011








