sexta-feira, 7 de junho de 2013

Métodos Quantitativos e Psicologia Ambiental: o exemplo do Saneamento

Para demonstrar a importância dos métodos quantitativos para a Psicologia, este trabalho apresenta o uso desta ferramenta no campo da Educação Ambiental e sua interdisciplinaridade com a Psicologia. Dessa forma, são apresentados dados coletados e consolidados anualmente desde 1995 através do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, que resulta no Diagnóstico Anual sobre Águas e Esgotos no Brasil – uma publicação do Ministério das Cidades – Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental e do Atlas de Saneamento 2011, uma publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

SANEAMENTO NO BRASIL E PSICOLOGIA AMBIENTAL

Conforme o Atlas de Saneamento 2011 (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO), o “saneamento ambiental abrange aspectos que vão além do saneamento básico, englobando o abastecimento de água potável, a coleta, o tratamento e a disposição final dos esgotos e dos resíduos sólidos e gasosos, os demais serviços de limpeza urbana, o controle ambiental de vetores e reservatórios de doenças, a disciplina da ocupação e de uso da terra e obras especializadas para proteção e melhoria das condições de vida” (ATLAS DE SANEAMENTO 2011, pg 45, MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO).
A falta ou a precariedade do saneamento, conforme apontado pelo Atlas de Saneamento 2011 (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO), causa problemas ambientais como poluição ou contaminação na captação de água para o abastecimento humano, poluição de rios, lagos, lagoas, aqüíferos, doenças, erosão acelerada, assoreamento e inundações freqüentes.
A maioria dos municípios brasileiros dispõe de serviço de coleta de lixo, porém cerca de 50,8% é destinado para lixões a céu aberto. No ano de 2000, este percentual era 72,3%. A coleta seletiva, apontada como uma das soluções mais viáveis para reduzir o volume do lixo produzido, passou de 8,2% dos municípios em 2000, para 17, 9% em 2008. Dos que realizam a coleta, apenas 38 % abrange todo o município. Cerca de 42% dos municípios brasileiros não tratam de forma devida o lixo hospitalar. (Fonte: Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto 2010 – MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2010).
Em 2010, o Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2010) apurou informações sobre o esgotamento sanitário em 2.734 municípios. Estes números correspondem 85,3% da população urbana do país. As informações foram fornecidas pelos próprios prestadores dos serviços através de formulários eletrônicos. Foram elaborados dois tipos de formulários: simplificado e completo para que os prestadores pudessem responder.

Fonte: Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto 2010 – Ministério das Cidades

Observou-se que a quantidade de prestadores que responderam a um ou outro formulário compôs uma amostra significativa.
Fonte: Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto 2010 – Ministério das Cidades

O Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2010) aponta que houve um crescimento no sistema de esgotamento sanitário, em relação ao ano de 2009, de 2,4 milhões de ligações (11,8 %) e de 16,2 mil quilômetros de redes água (7,8 %). No que se refere a volume de esgoto coletado e tratado, o acréscimo foi de 432,7 milhões de metros cúbicos (10,2%) e 229,1 milhões (7,9%), respectivamente.
Fonte: Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto 2010 – Ministério das Cidades

O Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2010) chama atenção para o fato de que este acréscimo não representa incrementos de mesma proporção nos índices de atendimento. Supõe-se que as novas ligações, redes e volumes atendem ao crescimento vegetativo e a um contingente de usuários que mudou de domicílios.
Evidencia-se que há um crescimento populacional associado a um crescimento do consumo e suas necessidades, sem a contrapartida de aumento para os recursos naturais e de redução do tempo de degradação do lixo que o homem produz. A geração presente convive com o problema econômico clássico, acentuado pelo comportamento consumista e cada vez mais reforçado pelos padrões de consumo atuais: como alocar os recursos escassos para satisfazer as necessidades do homem ilimitadas.
 A Psicologia Ambiental, se munindo das ferramentas disponibilizadas pela Estatística, pode oferecer o caminho para o encontro do equilíbrio entre homem e ambiente. Tem como objeto de estudo o comportamento do homem em sua interrelação com o meio ambiente e atribui importância às suas percepções, atitudes e comportamento dentro de um contexto físico e social, entendendo que tanto o ser humano modifica o ambiente como o ambiente interfere no seu comportamento de maneira dinâmica.
Questões como o lixo e seu destino, o saneamento e sua abrangência e o tratamento adequado da água perpassam pelo comportamento consumista, antropocêntrico e descomprometido que o homem e as instituições adotam em relação ao ambiente.
Observa-se, diante do exposto, a aplicabilidade e relevância dos métodos quantitativos para a consolidação, sistematização e interpretação dos dados em Psicologia Ambiental. Os dados apresentados na área do Saneamento no Brasil chamam a atenção para a necessidade de se repensar as políticas públicas e a relação entre o homem e ambiente. Esta relação deve refletir o entendimento do homem sobre seu papel de preservação do ambiente que ele é parte.


REFERÊNCIAS:

MINISTÉRIO DAS CIDADES, Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental; Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento: Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos – 2010; Brasília, 2012

MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística;  Atlas de Saneamento 2011 – Rio de Janeiro, 2011

BASSO, Theda; AMARAL, Moacir. Triângulos: estruturas de compreensão do ser humano.  São Paulo: Ed. Do autor, 2007, 299 p.

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