sábado, 1 de junho de 2013

Psicologia Ambiental e Crescimento Pessoal e Grupal

Como  a psicologia ambiental pode contribuir no processo de crescimento pessoal e grupal do indivíduo?

Um dos expoentes na história do desenvolvimento da Psicologia Ambiental foi o psicólogo alemão Kurt Lewin que considerava a importância da dimensão ambiental na Psicologia. O principal conceito de Lewin é o de Espaço Vital, que ele define como sendo a totalidade dos fatos que determina o comportamento do indivíduo num certo momento. As maiores influências de Lewin na Psicologia Ambiental foram a Teoria de Campo e a Pesquisa-Ação, sendo que a primeira levou à consideração mais cautelosa do ambiente físico nas pesquisas e a segunda assinalou a importância da pesquisa científica estar vinculada a mudanças sociais concretas.
Por ter um caráter interdisciplinar, a Psicologia Ambiental mantém interface com áreas de estudo tais como a Sociologia e Antropologia Urbana, Arquitetura, Paisagismo, Biologia, Zoologia, Urbanismo e Geografia, Ergonomia, Desenho Industrial entre outros. Esta interdisciplinaridade se iniciou no Pós Guerra, sobretudo na II Guerra Mundial, quando houve o esforço dos países para reconstrução da habitação e convivência social.
A Psicologia ambiental é uma subárea da Psicologia que tem como objeto de estudo o comportamento do homem em sua interrelação com o meio ambiente (natural ou construído), atribuindo importância às suas percepções, atitudes e comportamento dentro de um contexto físico e social. Consideram-se as dimensões sociais e culturais como elementos que influenciam a definição do ambiente, bem como a avaliação que o indivíduo faz sobre este ambiente. Entende-se que tanto o ser humano modifica o ambiente como o ambiente interfere no seu comportamento. Sendo a interação entre o ambiente e o indivíduo dinâmica, ao longo do tempo ela interfere e modifica tanto as condutas humanas quanto o meio-ambiente.

Não tem sentido falar, por exemplo, de um animal que respira sem considerar o ar e o oxigênio como parte da definição deste, ou falar de comer sem mencionar a comida, ou de enxergar sem luz, ou de locomoção sem gravidade e um chão para apoio, ou da fala sem comunicadores. Não há uma única função de animal algum, que se complete sem objetos de ambiente, quer se pense funções vegetativas como alimentação e sexualidade quer em funções perceptivas, motoras, sentimentos ou raciocínio (PERLS, HEFFERLINE e GOODMAN, 1997, p. 42).



A Psicologia Ambiental encontra resistência na visão antropocêntrica, que coloca o homem como centro de análise sem dar a devida importância à relação deste com o ambiente. O meio ambiente é visto como mera fonte de usos e recursos para que as necessidades humanas sejam atendidas de forma indiscriminada. O homem aqui é visto como um centro separado do ambiente ecológico, fora ou acima dele, e a sua subjetividade é “mal-interpretada”. Impera o narcisismo exacerbado e um consumo meramente emocional. O próprio sistema de hábitos, costumes, tradições e valores reafirmam o modelo de desenvolvimento insustentável tanto sob a ótica da produção quanto do consumo. O antropocentrismo contribui para adoção de comportamentos infantilizados em relação ao Planeta, bem como para o seu desequilíbrio e do próprio homem.
A Psicologia Ambiental percebe o homem e o ambiente como um organismo. O indivíduo não pode existir sem o ambiente e deve desenvolver com este uma relação de sustentabilidade percebendo o ambiente como extensão dele próprio, pois em todo o tempo a interrelação se faz presente não apenas no físico, mas no social e cultural.  A Terra não pode ser vista como o meio-ambiente da vida, mas sim como parte da vida.
O ser humano é parte de um todo chamado por nós de Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Experimentar a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos como algo separado do resto, é um tipo de ilusão da consciência. Essa ilusão restringe-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição por umas poucas pessoas próximas a nós. Nosso trabalho deve ser libertar-nos dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão para abarcar todas as criaturas vivas e a natureza inteira em sua beleza (EINSTEIN, 1916, apud THEDA BASSO e MOACIR AMARAL, 2007, p. 22).

O grande desafio da Psicologia Ambiental é contribuir para que o homem apreenda que é parte do ambiente, que depende deste ambiente e deve desenvolver com este uma relação de sustentabilidade. Esta apreensão deve ser refletida no comportamento do homem que faz da sua relação com o seu entorno algo salutar tanto nos aspectos socioculturais quanto ecológicos. Como uma área multidisciplinar, ela deve consolidar um novo padrão de pensamento instituindo o homem e a Terra como uma totalidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PERLS, F.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P. Gestalt-terapia. Tradução Fernando
Rosa Ribeiro. São Paulo: Summus, 1997, 266 p.
BASSO, Theda; AMARAL, Moacir. Triângulos: estruturas de compreensão do ser humano.

São Paulo: Ed. Do autor, 2007, 299 p.

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