Como a psicologia ambiental pode contribuir no processo de crescimento pessoal e
grupal do indivíduo?
Um
dos expoentes na história do desenvolvimento da Psicologia Ambiental foi o
psicólogo alemão Kurt Lewin que considerava a importância da dimensão ambiental
na Psicologia. O principal conceito de Lewin é o de Espaço Vital, que ele
define como sendo a totalidade dos fatos que determina o comportamento do
indivíduo num certo momento. As maiores influências de Lewin na Psicologia
Ambiental foram a Teoria de Campo e a Pesquisa-Ação, sendo que a primeira levou
à consideração mais cautelosa do ambiente físico nas pesquisas e a segunda
assinalou a importância da pesquisa científica estar vinculada a mudanças
sociais concretas.
Por
ter um caráter interdisciplinar, a Psicologia Ambiental mantém interface com
áreas de estudo tais como a Sociologia e Antropologia Urbana, Arquitetura, Paisagismo,
Biologia, Zoologia, Urbanismo e Geografia, Ergonomia, Desenho Industrial entre
outros. Esta interdisciplinaridade se iniciou no Pós Guerra, sobretudo na II
Guerra Mundial, quando houve o esforço dos países para reconstrução da
habitação e convivência social.
A
Psicologia ambiental é uma subárea da Psicologia que tem como objeto de estudo
o comportamento do homem em sua interrelação com o meio ambiente (natural ou
construído), atribuindo importância às suas percepções, atitudes e
comportamento dentro de um contexto físico e social. Consideram-se as dimensões
sociais e culturais como elementos que influenciam a definição do ambiente, bem
como a avaliação que o indivíduo faz sobre este ambiente. Entende-se que tanto
o ser humano modifica o ambiente como o ambiente interfere no seu comportamento.
Sendo a interação entre o ambiente e o indivíduo dinâmica, ao longo do tempo
ela interfere e modifica tanto as condutas humanas quanto o meio-ambiente.
Não
tem sentido falar, por exemplo, de um animal que respira sem considerar o ar e
o oxigênio como parte da definição deste, ou falar de comer sem mencionar a
comida, ou de enxergar sem luz, ou de locomoção sem gravidade e um chão para
apoio, ou da fala sem comunicadores. Não há uma única função de animal algum,
que se complete sem objetos de ambiente, quer se pense funções vegetativas como
alimentação e sexualidade quer em funções perceptivas, motoras, sentimentos ou
raciocínio (PERLS, HEFFERLINE e GOODMAN, 1997, p. 42).
A
Psicologia Ambiental encontra resistência na visão antropocêntrica, que coloca
o homem como centro de análise sem dar a devida importância à relação deste com
o ambiente. O meio ambiente é visto como mera fonte de usos e recursos para que
as necessidades humanas sejam atendidas de forma indiscriminada. O homem aqui é
visto como um centro separado do ambiente ecológico, fora ou acima dele, e a
sua subjetividade é “mal-interpretada”. Impera o narcisismo exacerbado e um
consumo meramente emocional. O próprio sistema de hábitos, costumes, tradições
e valores reafirmam o modelo de desenvolvimento insustentável tanto sob a ótica
da produção quanto do consumo. O antropocentrismo contribui para adoção de
comportamentos infantilizados em relação ao Planeta, bem como para o seu
desequilíbrio e do próprio homem.
A
Psicologia Ambiental percebe o homem e o ambiente como um organismo. O
indivíduo não pode existir sem o ambiente e deve desenvolver com este uma
relação de sustentabilidade percebendo o ambiente como extensão dele próprio,
pois em todo o tempo a interrelação se faz presente não apenas no físico, mas
no social e cultural. A Terra não pode
ser vista como o meio-ambiente da vida, mas sim como parte da vida.
O
ser humano é parte de um todo chamado por nós de Universo, uma parte limitada
no tempo e no espaço. Experimentar a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos
como algo separado do resto, é um tipo de ilusão da consciência. Essa ilusão
restringe-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição por umas poucas pessoas
próximas a nós. Nosso trabalho deve ser libertar-nos dessa prisão, ampliando
nosso círculo de compaixão para abarcar todas as criaturas vivas e a natureza
inteira em sua beleza (EINSTEIN, 1916, apud THEDA BASSO e MOACIR AMARAL, 2007,
p. 22).
O
grande desafio da Psicologia Ambiental é contribuir para que o homem apreenda
que é parte do ambiente, que depende deste ambiente e deve desenvolver com este
uma relação de sustentabilidade. Esta apreensão deve ser refletida no
comportamento do homem que faz da sua relação com o seu entorno algo salutar tanto
nos aspectos socioculturais quanto ecológicos. Como uma área multidisciplinar,
ela deve consolidar um novo padrão de pensamento instituindo o homem e a Terra
como uma totalidade.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
PERLS, F.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P. Gestalt-terapia.
Tradução Fernando
Rosa
Ribeiro. São Paulo: Summus, 1997, 266 p.
BASSO, Theda; AMARAL, Moacir. Triângulos: estruturas de
compreensão do ser humano.
São
Paulo: Ed. Do autor, 2007, 299 p.

Nenhum comentário:
Postar um comentário