sexta-feira, 7 de junho de 2013

Surgimento da Educação Ambiental e Saúde Mental



Ao falar sobre o surgimento da Educação Ambiental deve-se ressaltar que as questões ambientais, remetem ao surgimento do próprio homem, já que este sempre precisou se relacionar como o meio ambiente. Assim, o atual estado de devastação ambiental e o modo como o homem hoje se relaciona com o ambiente resultam de um processo histórico de produção da existência humana no qual o homem modifica aquilo que é fornecido pela natureza para seu próprio bem estar e satisfação.
O processo de globalização vai intensificar a problemática ambiental. Esta consiste no padrão insustentável adotado pela sociedade atual de produção e consumo, que pode ser identificado através do consumo exacerbado, da criação de desejos como necessidades e da ânsia dos produtores pelo aumento dos lucros e fortalecimento de mercados produtores e consumidores.
Alguns autores situam o surgimento das questões ambientais na década de 1970, juntamente com um conjunto de manifestações como a liberação feminina, movimentos “hippies” revoluções estudantis (especialmente maio 1968, na França), endurecimento de questões políticas na América Latina, a instituição de governos autoritários. Havia um fortalecimento dos modelos de desenvolvimento neoliberais, nos quais perseguia-se a qualquer custo o aumento dos lucros. O processo de industrialização acelerado como uma das bandeiras levantadas pelo Capitalismo apropriava-se tanto dos recursos humanos e quanto dos naturais.
Na Educação, percebia-se a crescente crítica aos modelos tradicionais de ensino, que objetivavam a formação de uma geração eficaz e eficiente para o mundo do trabalho. Surgiram, então, movimentos de renovação da Educação.
A publicação do livro "Primavera Silenciosa" (1962), da americana Raquel Carson, marca o início dos movimentos em defesa da Ecologia. Este livro abordava a perda de qualidade de vida devido ao uso de produtos químicos. Este livro repercutiu no mundo inteiro e as questões ambientais, passaram a fazer parte da pauta de reuniões de importantes organismos internacionais como a ONU.
A década de 70 experimentava uma crise ambiental, entretanto nas décadas de 50 e 60 alguns acidentes ambientais já anunciavam esta crise e receberam ampla divulgação na mídia:
a)     Contaminação do Ar em Londres e Nova York
b)     Intoxicação com Mercúrio e Niigata
c)     Diminuição da Vida Aquática em alguns dos Grandes Lagos norte-americanos
d)     Morte de aves devido aos efeitos secundários do DDT
e)     Contaminação do Mar devido ao naufrágio do Torrei Canyon, em 1966
Em 1972, a Conferência de Estocolmo coloca a Educação Ambiental como campo de Ação Pedagógica, adquirindo relevância internacional. Em 1974, foram reunidos os Princípios de Educação Ambiental no Seminário realizado em Tammi, que considerou que Educação Ambiental alcança objetivos de proteção ambiental e que se trata de uma educação integral e permanente.
O ponto culminante do Programa Internacional de Educação Ambiental foi a Conferência de Tbilisi (1976), nas qual foram definidas estratégias e objetivos pertinentes nacional e internacionalmente.
A década de 80 experimentou desastrosos acidentes ambientais como o de Chernobyl.
Em 1992 a Conferência das Nações Unidas para o Meio-Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro resultou em um dos mais importantes documentos para a Educação Ambiental que foi a Agenda 21 que reúne princípios norteadores até hoje.
Para o Ministério do Meio-Ambiente a Educação Ambiental é definida da seguinte forma:
“Educação ambiental é um processo permanente, no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação que os tornam aptos a agir – individual e coletivamente – e resolver problemas ambientais presentes e futuros”.
Outra definição importante foi a elaborada pela Comissão Interministerial na preparação da  Conferência das Nações Unidas para o Meio-Ambiente e Desenvolvimento - ECO-92:
“A educação ambiental se caracteriza por incorporar as dimensões sócio-econômica, política, cultural e histórica, não podendo se basear em pautas rígidas e de aplicação universal, devendo considerar as condições e estágios de cada país, região e comunidade, sob uma perspectiva histórica. Assim sendo, a Educação Ambiental deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conformam o ambiente, com vistas a utilizar racionalmente os recursos do meio na satisfação material e espiritual da sociedade, no presente e no futuro." (ECO 92)
Por último, cita-se a definição da UNESCO:
“A educação ambiental é um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, habilidades, experiências, valores e a determinação que os tornam capazes de agir, individual ou coletivamente, na busca de soluções para os problemas ambientais, presentes e futuros (UNESCO, 1987)”.  
Diante do exposto percebe-se que Educação Ambiental envolve a importante questão de como o indivíduo se relaciona com o meio-ambiente. Sabe-se que, como dito anteriormente, o padrão de produção e consumo das sociedades atuais é insustentável e evidencia que, apesar de estudos, conferências, documentos, leis e outras ações que tem a questão ambiental como pauta, a problemática ambiental não diminui.
O homem continua se relacionando de maneira de maneira egoísta com o meio em que está inserido. Sua visão é antropocêntrica, pois o meio ambiente, em geral, é visto como mera fonte de satisfação de suas necessidades e desejos. O seu comportamento é infantilizado pois ele não entende que ele e Terra são constituídos da mesma matéria e são partes integrantes de uma totalidade. Se ele destrói o ambiente a sua volta, ele está destruindo a si mesmo enquanto ser.
O ser humano é parte de um todo chamado por nós de Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Experimenta a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos como algo separado do resto, um tipo de ilusão da consciência. Essa ilusão restringe-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição por umas poucas pessoas próximas a nós. Nosso trabalho deve ser libertar-nos dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão para abarcar todas as criaturas vivas e a natureza inteira em sua beleza (EINSTEIN, 1916, apud THEDA BASSO e MOACIR AMARAL, 2007, p. 22).
A Psicologia Ambiental, como uma ferramenta multidisciplinar, tem o importante papel no sentido de refletir a relação e inter-relação entre o homem e meio-ambiente. Deve despertar o homem acerca de seu papel, suas responsabilidades, a as conseqüências do seu comportamento em relação ao ambiente.  É importante destacar que a relação homem X ambiente se reflete nos espaços social, cultural, religioso, familiar, educacional, profissional. E a Psicologia permeia todas estas áreas.
O homem, libertando-se do seu antropocentrismo, do egoísmo e dos comportamentos infantilizados será muito mais saudável mentalmente. A saúde mental pode ser entendida como um equilíbrio dinâmico que resulta da interação do indivíduo com seus vários ecossistemas. O seu meio externo e interno; as suas características orgânicas e os seus antecedentes pessoais e familiares.
Pensar em Educação Ambiental é pensar sobre a ideia de conscientizar o homem sobre sua condição e inter-relação com o meio ambiente. O homem e o ambiente fazem parte de uma mesma totalidade e esta percepção, que tem a Psicologia Ambiental como forte aliada no seu reforçamento, vai conferir saúde mental e física ao ser-humano.

REFERÊNCIAS

BASSO, Theda; AMARAL, Moacir. Triângulos: estruturas de compreensão do ser humano. São Paulo: Ed. Do autor, 2007, 299 p.

LIRA, Luiz. FERRAZ, Vânia. A Psicologia Ambiental: Uma relação de Equilíbrio entre o Homem e a Natureza. Disponível em: http://www.oceanario.org.br/index2.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=18&Itemid=91 Acesso: 10.05.2013

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Disponível em: http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/politica-de-educacao-ambiental - Acesso: 12.05.2013

PINHEIRO, J. Q & PINHEIRO, T. F. Cuidado ambiental: ponte entre Psicologia e Educação Ambiental? Revista Psico. 38 (1) 25-34


RIZZO, Juan Ferrari; Educação Ambiental ou Educação Ambiental. Disponível em: http://www3.mg.senac.br/NR/rdonlyres/em64m2qax63zz4iucexzi5yzftzwy246kglhddx43bugbobix6yvco5juojns6l6ltt7gk2meicnwl/ferrari.pdf - Acesso: 12.05.2013

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