sábado, 1 de junho de 2013

Educação Ambiental X Consumo

Falar em Educação Ambiental é falar sobre a reconstrução do nosso sistema de hábitos, costumes, valores e tradições. Conforme Guun (1996), o atual sistema de valores da nossa civilização propicia modelos de desenvolvimento que são insustentáveis. Pensar em Educação Ambiental como forma de estabelecer na sociedade uma consciência verde e hábitos de reciclagem é uma forma muito simplista e reducionista de tratar a questão.

A grande problemática ambiental consiste no nosso atual modelo insustentável de produção e consumo. De um lado, encontram-se os grandes oligopólios que, querendo aumentar seus lucros, trabalham pelo aumento da produção que carece e precisa de uma demanda sempre crescente para ser efetivamente absorvida. Estes conglomerados investem no marketing, tendo como aliado a mídia sedutora e agressiva, para criar desejos que se confundem com necessidades. Uma necessidade, de forma simplificada, pode ser entendida como aquilo que é essencial, aquilo que seja imprescindível. Comer, vestir, se deslocar por exemplo.

Um desejo, dentro dos nossos padrões de consumo, é a vontade de comer aquela comida, vestir aquela grife e se deslocar com aquele carro do ano. Desejo é a vontade de possuir algo, a cobiça, o anseio ou aspiração. Desejo não é necessidade, entretanto, a sociedade do consumo não discerne a diferença, já que a linha que os separa se torna tênue quando o desejo é assimilado pelo o indivíduo como uma necessidade. O avanço tecnológico vem corroborar estes padrões fazendo com que o consumo pela tecnologia de última geração seja cada vez mais exacerbado e impensado, pois a tecnologia anterior continua a cumprir o seu papel, mas já há uma imposição para ser substituída. Este fenômeno é facilmente observado nos mercados de celulares, computadores, tablets e televisores por exemplo.



Do outro lado está o consumidor, inserido na Era do Consumo, que não pode ser visto apenas como vítima do capitalismo, mas sim como assujeitado ao sistema, pois ávido pelo consumo, ele retroalimenta este sistema e sustenta a posição dominante dos oligopólios. O consumidor busca maximizar seu bem estar, que na economia tradicional é visto pela sua capacidade de gastar e consumir.

Nesta economia, quanto mais o indivíduo consome, maior é seu bem-estar e maior a sua afirmação social, pois o consumo também lhe dá prestígio, status social e prazer. Não apenas a satisfação é importante, mas a satisfação imediata.

De que forma esta dicotomia entre os modelos do consumo e de produção se reflete na Educação Ambiental? O consumidor não reflete sobre o que precisa, sobre o que compra e sobre como vai descartar ou reutilizar o que consumiu. Ele não reflete sobre seu papel numa sociedade que se afirma na posse e exploração de recursos, pois seu ritmo de consumo é tão frenético e imediato que não lhe permite ao menos pensar no futuro. As grandes empresas não se preocupam com o lixo que produzem e com o impacto ambiental gerado por esta produção, pois seu objetivo é o lucro, é a produção de bens e necessidades. Fazer o homem entender que a natureza não está para lhe servir é o primeiro passo para se pensar efetivamente sobre a Educação Ambiental.

A sociedade precisa efetivamente conhecer o problema econômico: como alocar os recursos que são ESCASSOS para atender os desejos do homem que são ILIMITADOS. Com o passar do tempo o planeta sofre as conseqüências: os recursos estão cada vez mais escassos e os desejos cada vez mais aguçados e ilimitados. A poluição, o aquecimento global, a extinção de animais, a falta de alimentos e outros fenômenos alertam para um colapso ambiental. É preciso romper com o antropocentrismo que se reflete na atual organização social e produtiva “pensando globalmente e agindo localmente”.

A Educação Ambiental é a solução mais efetiva e funcional para as questões da inter-relação entre o homem e o meio ambiente no tocante a informação e conscientização. A sociedade, entenda-se empresa, consumidor e poder público, precisa se engajar e participar ativamente das mudanças sociais assimilando as condutas pró-ambientais, novos hábitos e reformulando políticas públicas que resultem no desenvolvimento sustentável.

Naturalmente, é preciso e fundamental reciclar o lixo. Entretanto muito mais importante talvez seja repensar e reformular o atual sistema de hábitos, costumes, valores e tradições para entender que todos os recursos disponíveis são escassos e finitos.

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